Por Tânia Moura e Sofia Moura Donato, com a contribuição de Almerinda Andréa Gomes na ilustração.
11/01/2016

No banheiro [da nossa casa] somos os únicos atores e expectadores, diz Millôr Fernades*, mas não é assim no banheiro de mulher, principalmente nos banheiros que nós escolhemos para falar - banheiros de bares e restaurantes que refletem [ou não] os encantos ou desencantos "da casa".





No banheiro feminino as moças e mulheres retocam suas maquiagens e arrumam os seus cabelos - por vezes não sabem nem para quem - quisera fosse para elas mesmas. É ao banheiro feminino que recorrem para compartilhar, com as amigas/colegas, histórias e estórias de amigos, de amores e de alegrias ou de dores. Riem, pulam, comemoram, choram...

Ainda usamos máscaras para enfrentar o desconhecido. Diante do desconhecido e/ou em uma situação nova, incorporamos personagens e representamos diante daqueles que não nos conhecem. Nesses banheiros não somos as únicas atrizes e expectadoras, somos sim expectadoras de representações múltiplas e simultaneamente representamos para as múltiplas expectadoras presentes.


Sendo assim, o banheiro de mulher não é nossa vida, mas com toda certeza faz parte dela. Talvez você ache uma sobrevalorização para esse espaço, mas não diga que damos importância demais ao banheiro, pois há aqui, tão somente, um desejo de compartilhamento. Assim, além de informar sobre as percepções acerca "da casa", avisamos, para vocês, as condições do banheiro e do serviço que encontrarão. 


Afinal, você gostaria de entrar em um belo restaurante e ver que o banheiro é um "nojo"? Que o cenário diverge do desejo das muitas "atrizes"? É por isso,  e para isso, que estamos aqui. 

Repetimos o que dissemos antes: passamos por tudo, até ausência de banheiro, mas complementamos dizendo que compartilhamos, com vocês, os lugares mais aconchegantes para nós, os nossos preferidos Banheiros de Mulher


*Millôr Fernandes - Emmanuel Vão Gôgo. Humorista, pensador, chargista, tradutor, escritor, teatrólogo, jornalista e pintor. Fonte: Releituras. Disponível em: <http://releituras.com/millor_banheiro.asp>. Acesso em: 09 Jan. 2016.

O Banheiro de Millôr Fernandes





Por Tânia Moura e Sofia Moura Donato
09/01/2016

Não poderíamos deixar de postar essa contribuição do Dr. Moura, querido sobrinho/primo entusiasta e leitor do nosso blog.



"Quem aumenta seu conhecimento aumenta a sua dor"
(Eclesiastes, I, 18)

Não é o lar o último recesso do homem civilizado, sua última fuga, o derradeiro recanto em que pode esconder suas mágoas e dores. Não é o lar o castelo do homem. O castelo do homem é seu banheiro. Num mundo atribulado, numa época convulsa, numa sociedade desgovernada, numa família dissolvida ou dissoluta só o banheiro é um recanto livre, só essa dependência da casa e do mundo dá ao homem um hausto de tranqüilidade. É ali que ele sonha suas derradeiras filosofias e seus moribundos cálculos de paz e sossego. Outrora, em outras eras do mundo, havia jardins livres, particulares e públicos, onde o homem podia se entregar à sua meditação e à sua prece. Desapareceram os jardins particulares, pois o homem passou a viver montado em lajes, tendo como ilusão de floresta duas ou três plantas enlatadas que não são bastante grandes para ocultar seu corpo da fúria destrutiva da proximidade forçada de outros homens. Não encontrando mais as imensidões das praças romanas que lhe davam um sentido de solidão, não tendo mais os desertos, hoje saneados, irrigados e povoados, faltando-lhe as grutas dos companheiros de Chico de Assis, onde era possível refletir e ponderar, concluir e amadurecer, o homem foi recuando, desesperou e só obteve um instante de calma no dia em que de novo descobriu seu santuário dentro de sua própria casa — o banheiro. Se não lhe batem à porta outros homens (pois um lar por definição é composto de mulher, marido, filho, filha e um outro parente, próximo ou remoto, todos com suas necessidades físicas e morais) ele, ali e só ali, por alguns instantes, se oculta, se introspecciona, se reflete, se calcula e julga. Está só consigo mesmo, tudo é segredo, ninguém o interroga, pressiona, compele, tenta, sugere, assalta, Aqui é que o chefe da casa, à altura dos quarenta anos, olha os cabelos grisalhos, os claros da fronte, e reflete, sem testemunhas nem cúmplices, sobre os objetivos negativos da existência que o estão conduzindo — embora altamente bem sucedido na vida prática — a essa lenta degradação física. Examina com calma sua fisionomia, põe-se de perfil, verifica o grau de sua obesidade, reflete sobre vãs glórias passadas e decide encerrar definitivamente suas pretensões sentimentais, ânsia cada vez maior e mais constante num mundo encharcado de instabilidade. É nesse mesmo banheiro que o filho de vinte anos examina a vaidade de seus músculos, vê que deve trabalhar um pouco mais seus peitorais, ensaia seu sorriso de canto de boca, fica com um olhar sério e profundo que pretende usar mais tarde naquela senhora mais velha do que ele mas ainda cheia de encantos e promessas. É aqui que a filha de 17 anos vem ler a carta secreta que recebeu do primo, cujos sentimentos são insuspeitados pelo resto da família. Já leu a carta antes, em vários lugares, mas aqui tem o tempo e a solidão necessários para degustá-la e suspirá-la. É aqui também que ela vem verificar certo detalhe físico que foi comentado na rua, quando passava por um grupo de operários de obras, comentário que na hora ela ouviu com um misto de horror e desprezo. É aqui que a dona de casa, a mãe de família, um tanto consumida pelos anos, vem chorar silenciosamente, no dia em que descobre ou suspeita de uma infidelidade, erro ou intenção insensata da parte do marido, filho, filha, irmãos. Aqui ninguém a surpreenderá, pode amargurar-se até aos soluços e sair, depois de alguns momentos, pronta e tranqüila, com a alma lavada e o rosto idem, para enfrentar sorridente os outros misteriosos e distantes seres que vivem no mesmo lar.
Não há, em suma, quem não tenha jamais feito uma careta equívoca no espelho do banheiro nem existe ninguém que nunca tenha tido um pensamento genial ao sentir sobre seu corpo o primeiro jato de água fria. Aqui temos a paz para a autocrítica, a nudez necessária para o frustrado sentimento de que nossos corpos não foram feitos para a ambição de nossas almas, aqui entramos sujos e saímos limpos, aqui nos melhoramos o pouco que nos é dado melhorar, saímos mais frescos, mais puros, mais bem dispostos. O banheiro é o que resta de indevassável para a alma e o corpo do homem e queira Deus que Le Corbusier ou Niemeyer não pensem em fazê-lo também de vidro, numa adaptação total ao espírito de uma humanidade cada vez mais gregária, sem o necessário e apaixonante sentimento de solidão ocasional. Aqui, neste palco em que somos os únicos atores e espectadores, neste templo que serve ao mesmo tempo ao deus do narcisismo e ao da humildade, é que a civilização hodierna encontrará sua máxima expressão, seu último espelho — que é o propriamente dito.
Xantipa, que diabo, me joga essa toalha!

"Minha especialidade e meu orgulho: sou o maior leigo do país."
(O Autor)



Fonte: Fernandes, Millor. O Banheiro. Disponível em: <http://releituras.com/millor_banheiro.asp>. Acesso em: 09 Jan. 2016.

Donana ou Dona Ana?


Por Sofia Moura Donato
02/01/2016

Há em Salvador um conhecido restaurante chamado Donana. 

Donana é uma referência à Dona Ana Raimunda Silva Santos, a Dona Ana. Uma mulher bacana que merece ser conhecida. Assim, recomendo que vocês visitem o site do próprio Restaurante para conhecer um pouquinho melhor essa história [http://www.donanarestaurante.com.br/quem.php]

No Donana [Vilas] o ambiente é aberto e confortável. 
Os que estão lá, os que entram e os que saem, sabem que voltarão...



Votarão pela simpatia, pelo acolhimento, pelo ambiente e é CLARO pela qualidade e sabor da culinária. Afinal são mais de 21 anos de uma saborosa existência.







Quanto ao banheiro?!
Um aconchego!
 



Singelo, pequeno, mas incrivelmente reconfortante. 
Suas cores nos dão energia! 













É limpo e muito cheiroso, e, para fechar com chave de ouro, há um delicado vaso de flores acompanhado de uma linda mensagem!










Até tentei conhecer o Donana Salvador, mas...
 aos domingos a fila dá voltas. Vá conhecer esse encanto de Banheiro de Mulher!


Delícias do Sertão? É no Sertão Bom


Por Sofia Moura Donato
03/01/2016


Essa semana visitei um novo restaurante chamado Sertão Bom.

O restaurante é fechado, porém consegue manter uma agradável temperatura [para os padrões do verão baiano]. 

Toda a decoração está em harmonia com o tema - o sertão brasileiro - e muito bem feita. 

A simpatia dos atendentes nos reconforta e nos diverte. E a comida?! É bem boa!





O banheiro também tem uma decoração única e muito bonita, tudo a ver com o tema. É limpo e sem cheiro, cores vivas e vibrantes que combinam com a pouca iluminação. Há ainda vários espelhos que ajudam muito na hora do retoque - item importante não é? 




Esta é uma ótima opção!!




Uma experiência a ser armazenada: Parte 2?

Por Sofia Moura Donato 
06/01/2016

Ué, parte 2? 



Sim, senhores! 

Hoje descobri que no Armazém 437 há um salão no segundo andar. Como não havia lugar para sentar toda "Grande Família", fomos gentilmente direcionados para o andar superior e lá ficamos. Mas se  o salão é novo, o banheiro também é! 

O banheiro é iluminado com lâmpadas amarelas, tem cores neutras - branco e cinza - e um design mais sofisticado, entretanto, não é tão decorado quanto o outro, o que lhe deixa com um ar mais sério. É limpo e cheiroso, mas...

Eu sempre gosto mais de coisas mais vivas e felizes, como almoçar com a família! 


Bem, do restaurante não preciso nem falar...

Continua sendo uma boa opção!

Pensar, amar e comer bem - Recomendações de Enzo e Virginia



Por Tânia Moura e Sofia Moura Donato
05/01/2016


Escrever é que é o verdadeiro prazer; ser lido é um prazer superficial.
                                                          Virginia Woolf

Entre os prazeres da escrita e da leitura, vale aproveitar os prazeres do Il Maneggio.
Explico...
O Il Maneggio nos revela o prazer da boa mesa. Comida farta, carinhosamente preparada e atendimento especial é "il piacere di mangiare italiano".
O responsável por isso é o Enzo que, desde 1998, cozinha para nós. E "nós" significa muitos...
Baianos, Italianos, Catarinenses, Manauaras, Sergipanos, entre outros. 
Nem precisa conhecer o banheiro feminino para gostar desse lugar.
É preciso, e necessário, fazer referência a: "Lucciano", um simpático garçom que já abre um sorriso quando nos encontra; a Zé, que entre um charuto e uma conversa vai distribuindo simpatia  e a toda equipe, que é para lá de simpática.
Bom vinho, bom molho, boa massa, boa pizza, boa trufa, muito alho e preço justo. 
É assim que se constrói um empreendimento - com relacionamento e muito prazer - Prazeres das Massas!!!
Agora?!
Il piacere de mangiare " Mare e Monti"
Experiência única! Confira!
     


Eis a frase do cardápio!
"L'uomo non puópensare beneamare benedormire bene se non hámangiato bene"                                                    Virginia Wolf